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Parte do trabalho na Técnica Alexander é realizado na posição deitada.

Utiliza-se um tapete de yoga, com um livro colocado por baixo da cabeça e os pés apoiados no chão, mantendo os joelhos dobrados e direcionados para o teto. As mãos permanecem relaxadas sobre o abdómen ou o peito.

Esta “posição de vantagem mecânica” cria condições ideais para que, à medida que libertamos tensões desnecessárias no corpo, este possa reorganizar-se naturalmente, permitindo uma maior expansão das costas e do tronco, o que favorece a respiração e a circulação.

Quer tenha muita ou pouca experiência, esta é uma posição que contribui significativamente para o desenvolvimento da consciência corporal e para a descoberta da sua própria forma de trabalhar sobre si mesmo. Desta forma, aprendemos a confiar na inteligência intrínseca do corpo, cujo funcionamento não depende de imposições ou racionalizações externas, mas possui uma capacidade inata de adaptação, equilíbrio e regeneração.

Para isso, é importante estabelecer uma prática diária, reservando pelo menos dez minutos do seu dia para esta pausa consciente.

Repouso Construtivo

Dar tempo para dizer Não

16 de maio de 1983

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Um dos meus alunos de Portugal contou-me esta manhã que um amigo seu, um homem na casa dos quarenta e muitos anos, tinha lesionado as costas e estava a sofrer bastante. Tinha ido ao médico e feito todo o tipo de tratamentos, que tinham acabado por piorar a dor em vez de a melhorar. Então, o meu aluno disse-lhe:

 

“Olha, vou contar-te um pequeno segredo. O que precisas de fazer é não fazer nenhum desses exercícios e dessas coisas. Procura um pouco de espaço no chão, deita-te de costas, com a cabeça apoiada e os joelhos fletidos.”

E mostrou-lhe como fazer. Depois acrescentou:

“Agora, deves fazer isto todos os dias.”

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Bom, não voltou a falar mais sobre o assunto. Cerca de um mês mais tarde, uma professora de Técnica Alexander estava em Lisboa, por isso telefonou ao amigo e disse-lhe que ela estaria na cidade durante algum tempo e que talvez pudesse aproveitar para ter algumas aulas com ela. E ficou por aí.

Cerca de três meses depois, encontrou o amigo no clube de baile, com um aspeto realmente muito mais ereto e em excelente forma. Aproximou-se dele e disse-lhe como estava satisfeito por ele ter recuperado tão bem, perguntando-lhe o que tinha estado a fazer.

O homem olhou para ele, espantado, e respondeu:

“Fazer? Tenho feito exatamente aquilo que me disseste para fazer. Tenho-me deitado no chão durante uma hora todas as manhãs e todas as tardes, desde o dia em que me disseste.”

E foi só isso que fez. Creio que tinha tido três aulas de Técnica Alexander. Mas tinha feito esta prática de se deitar durante uma hora todas as manhãs e todas as noites.

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É tão difícil para as pessoas acreditarem que simplesmente deitar-se daquela forma e não fazer nada possa provocar estas mudanças. Mas pode, se conseguirmos convencer as pessoas a fazê-lo.

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Se elas entrarem na posição semi-supina com a atitude correta, não é absolutamente necessário fazer mais nada, porque o tempo fará o resto.

O ponto que deve ser enfatizado é que, dando-lhe tempo, o aluno aprenderá a suspender o consentimento — quer esteja deitado sozinho, numa aula ou na sua vida quotidiana.

Ou seja, com o tempo, o aluno aprenderá a dizer Não.

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Excerto de Thinking Aloud, de Walter Carrington.

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